Relacionamento abusivo: como reconhecer, sair desse ciclo e buscar seus direitos
- Priscilla Xavier
- 31 de mar. de 2025
- 3 min de leitura

"Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento." – Eleanor Roosevelt
Relacionamentos deveriam ser um espaço de amor, respeito e parceria. No entanto, muitas mulheres acabam presas em relações que, em vez de fortalecer, destroem. O pior? Muitas vezes, nem percebem que estão vivendo um relacionamento abusivo. Afinal, o abuso nem sempre começa com gritos ou agressões, mas com pequenas atitudes que vão minando a autoestima e a liberdade aos poucos.
O que é um relacionamento abusivo?
Relacionamento abusivo não é apenas aquele em que há violência física. Na verdade, ele pode se manifestar de diferentes formas, sempre com um objetivo: controle e dominação. Como bem escreveu Rupi Kaur em um de seus poemas, “se ele te faz sentir menos do que você é, então ele não te ama”. O amor verdadeiro não aprisiona, não sufoca e não faz ninguém se sentir menor.
Os sinais de um relacionamento abusivo
A música "Love on the Brain", de Rihanna, traz um verso marcante: “It beats me black and blue but it fucks me so good” ("Ele me deixa roxa de hematomas, mas o sexo é tão bom"). Essa é uma triste realidade de muitas mulheres que vivem em ciclos de violência intercalados com momentos de afeto, o que torna a saída ainda mais difícil.
Alguns sinais comuns de abuso incluem:
Controle excessivo: O parceiro quer saber onde você está o tempo todo, com quem fala e até o que veste.
Críticas constantes: Nada do que você faz parece ser suficiente. Ele diminui suas conquistas e faz você se sentir incapaz.
Isolamento: Aos poucos, você se afasta de amigos e familiares, muitas vezes porque ele diz que eles não gostam dele ou que só querem te ver infeliz.
Manipulação emocional: Ele faz com que você se sinta culpada por tudo, até pelas próprias agressões.
Ameaças e chantagens: Frases como “se você me deixar, eu me mato” ou “ninguém nunca vai te amar como eu” são comuns.
O ciclo do abuso
A psicóloga Lenore Walker descreveu o ciclo da violência doméstica, que geralmente passa por três fases:
Fase da tensão: Pequenas agressões verbais, ciúmes excessivos e manipulação começam a surgir.
Explosão: A violência acontece, seja ela física, psicológica ou emocional.
Lua de mel: O agressor pede desculpas, promete mudar e volta a ser carinhoso – até que tudo recomeça.
Essa dinâmica prende muitas mulheres na relação, pois a esperança de que “ele vai mudar” faz com que permaneçam.
Seus direitos e o apoio da Justiça
"O pássaro que voa dentro da gaiola acha que voar é uma doença." – Alejandro Jodorowsky
Sair de um relacionamento abusivo é um desafio, mas você não está desamparada. A legislação brasileira protege mulheres em situação de violência e oferece caminhos para garantir sua segurança e dignidade.
Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): Criada para combater a violência doméstica e familiar, essa lei garante medidas protetivas, assistência psicológica e suporte jurídico para vítimas de abuso.
Medidas protetivas de urgência: Se houver risco à sua integridade, você pode solicitar medidas judiciais que afastam o agressor, proíbem contato e garantem sua segurança.
Registro de ocorrência e ação penal: O primeiro passo é denunciar o agressor em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer delegacia comum. O Ministério Público pode abrir uma ação penal contra ele.
Direito a assistência jurídica gratuita: Caso não tenha condições financeiras, você pode buscar apoio na Defensoria Pública para entrar com ações de divórcio, guarda dos filhos e pensão alimentícia.
Medidas de apoio social: Além da Justiça, existem redes de apoio como casas-abrigo e ONGs que auxiliam mulheres que precisam de acolhimento e recomeço.
Como buscar ajuda e reconstruir sua vida
Se você se identificou com esse texto ou conhece alguém que precisa de ajuda, saiba que há saídas. O Ligue 180 é um canal gratuito e sigiloso para denúncias e orientações. Além disso, buscar ajuda psicológica pode ser essencial para reconstruir sua autoestima e sua vida.
O amor de verdade não machuca, não humilha, não prende. Você merece mais. Sempre. E a Justiça está ao seu lado para garantir que sua liberdade e segurança sejam respeitadas.










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